tesla carro eletrico com nova caixa cambio
setembro 22, 2008
A Tesla, que fabrica um dos esportivos mais revolucionários do mundo, o Roadster, conseguiu sanar o calcanhar-de-Aquiles do modelo, inteiramente movido a eletricidade. Com a ajuda da BorgWarner, ela agora tem uma transmissão que agüenta a força do motor, capaz de acelerar o carro de 0 a 100 km/h em menos de 4 s e levá-lo à máxima de 200 km/h.
As primeiras caixas se mostraram pouco confiáveis, mas isso não impediu o lançamento do carro, que vinha sendo continuamente adiado. Para não passar por impostora, como já aconteceu com tantas fábricas com idéias avançadas demais, a Tesla entregou o carro, de março até agora, a 27 clientes, que terão o direito de substituir tanto o câmbio quanto o motor que têm atualmente em seus veículos de graça.
A transmissão da BorgWarner, com uma marcha só, permitiu extrair mais do motor elétrico, que agora rende 380 Nm de torque, contra 286 Nm do da primeira versão. Surpreendentemente, a autonomia foi ampliada de 356 km para quase 400 km, ou mais exatamente 393 km.
Com a mudança, a produção do Tesla Roadster deve chegar a 10 unidades por semana, isso considerando que o modelo é fabricado sob encomenda no Reino Unido, pelaLotus. Há planos de um novo produto, o que demandará uma fábrica nova, provavelmente nos EUA, onde o Roadster foi concebido.
História
O Tesla Roaster é o primeiro modelo da marca, cujo nome homenageia um dos gênios da eletricidade, Nikola Tesla, que, como acontece a muitos gênios, morreu na miséria aos 86 anos, em 1943. Tesla foi o inventor da corrente alternada (AC), contrariando outro gênio, Thomas Alva Edison, que se empenhou em desacreditar o inventor sérvio para popularizar seus sistemas de corrente contínua (DC). Um dos motivos para a homenagem é que foi a corrente alternada que permitiu ao Roadster ser um carro tão extraordinário.
O sistema que a Tesla inventou, chamado de “AC Propulsion Reductive Charging”, permite que as baterias do carro sejam completamente carregadas em apenas 3h30, em qualquer tomada. Isso para uma autonomia de mais de 350 km.
Além disso, o carro reaproveita a energia usada em frenagens e conta com um conjunto de baterias de íons de lítio. Além de leves, elas não têm memória (não é preciso esperar que elas descarreguem completamente antes de recarregar), são recicláveis e muito mais limpas que as convencionais, uma vez que podem ser jogadas fora em lixo comum. De todo modo, as do Tesla Roadster só perdem sua qualidade máxima depois de 160 mil km. Para que tenham efetivamente de ser trocadas, a distância é muito maior.
Um dos modos de apresentar o Roadster a possíveis compradores, aliás, é uma “sacanagenzinha” das boas: o vendedor pede ao comprador que ligue o rádio e acelera o carro. Nenhum cliente consegue alcançar os botões, pela força da aceleração do carro. No chavão cheio de sentido da imprensa automotiva: o Tesla cola o passageiro no banco ao acelerar.
A eficiência energética de um veículo elétrico, como já ficou provado com o Lumeneo Smera, é muito superior à de um automóvel a gasolina. Se não fosse assim, o Tesla Roadster não seria capaz de um consumo de energia equivalente a 57 km/l. É bem menos do que o urbanino francês consegue, mas não deixa de ser um número excelente para um carro que acelera como este.
Ser ecologicamente correto pode não ser nem um pouco chato, como o Roadster deve provar a quem tem a chance de dirigi-lo, mas continua a ser um negócio muito caro. Nos EUA, o primeiro modelo da Tesla custa US$ 98 mil, cerca de R$ 170 mil.
Para os ricos padrões brasileiros, nos quais um Toyota Corolla, aqui, custa o equivalente a 2,3 vezes o preço pago pelos pobres norte-americanos, talvez o esportivo nem pareça tão caro assim… Pena que a chance de ele ser vendido aqui seja bastante remota. Pelo menos temos o consolo de saber como esse bicho anda. Pensando bem, não sabemos se é consolo ou motivo para ter mais raiva ainda.
